quinta-feira, maio 06, 2004

Pentágono envolve civis em interrogatórios no Iraque

No Diário de Notícias: "À medida que prosseguem as seis investigações em curso ao que sucedeu na prisão de Abu Ghraib, vai sendo possível estabelecer um quadro mais preciso sobre a matéria. A começar pelo tipo de pessoas responsáveis pelos interrogatórios. Tristemente célebre durante o regime de Saddam Hussein, Abu Ghraib, situada nos arredores de Bagdad, é o maior complexo prisional do país. É isso que explica, por exemplo, que, em Setembro do ano passado, os presos mais sensíveis tivessem sido concentrados em duas das suas alas (a 1-A e a 1-B) numa tentativa de se recriar o que acontece com os detidos da Al-Qaeda, em Guantánamo. Foi só depois desse movimento que se registaram os casos de sevícias, entre Outubro e Dezembro. Nessa altura, Saddam ainda não tinha sido preso e existia uma grande pressão para a recolha de informações que pudessem levar à sua captura. Muitos dos suspeitos detidos no chamado «triângulo sunita» eram então enviados para Abu Ghraib e aí interrogados. As instruções passavam por obter resultados rapidamente, mesmo que os prisioneiros fossem privados de sono ou de luz. E embora muitos dos responsáveis pelos interrogatórios em Abu Ghraib fossem da CIA ou dos serviços de informação militares, outros eram civis contratados. Em especial de duas empresas: a CACI International, de Arlington (da Virgínia) e a Titan Corporation, de San Diego (Califórnia), que recorrem a ex-militares ou antigos operacionais. É isso que consta do relatório elaborado pelo general António Taguba, que recomenda o despedimento de um elemento da CACI, que teria permitido ou ordenado a alguns militares não treinados em técnicas de interrogatório que os facilitassem, estabelecendo condições «não autorizadas». [notícia completa]

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